Vias para pedestres e bikes!

Investir em mobilidade tornou-se uma pauta comum às grandes cidades brasileiras – mas qual mobilidade queremos?

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Os diferentes tipos de modos de transportes não tem convivência fácil, e alguns deles tem problemas de visibilidade. Vamos, então, lembrar quais são:

a) tipos motorizados de transporte: compreendem os tipos particulares (que se dividem entre carros e motos) e os tipos coletivos (ônibus, trem, metrô, táxis, etc).

b) tipos não-motorizados (que se dividem entre bicicletas e pedestres).

Além disso, os modos de transporte devem ser divididos de acordo com seu propósito: carga (vans, trens, caminhões, aviões, etc.), trabalho (pessoas indo para o trabalho e dele voltando), lazer (que deve ser compreendido como uma necessidade importante da sociedade). Além de viagens que as pessoas realizam em função do lar: levar os filhos ao colégio, ir ao supermercado, à farmácia, etc.

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“Qual a importância das bicicletas? As pessoas vão ao trabalho em veículos, é para isso que o governo deve investir o dinheiro público, incentivando a economia”. Essa é uma afirmação que corresponde a um senso comum – e, como geralmente ocorre, o senso comum, por falta de informação, está aqui distanciado do bom senso. Só por não se vê um modo de transporte, não se pode afirmar que ele não é necessário – na verdade ele está lá, dentro dos corações das pessoas, na forma de um desejo latente. Essa necessidade cidadã, muitas vezes desacreditada pelas próprias pessoas que a possuem (por não perceberem que há a opção), é o que se estuda estatisticamente como demanda reprimida. Sim, é possível prever quanto a sociedade precisa de bicicletas e quanto ganhará com ciclovias: na ponta do lápis, de forma a incentivar sim a economia.

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“Por que falar em tudo isso? Por que falar ao mesmo tempo em bicicletas, em lazer e em economia? Não é mais fácil ver a sociedade como capital x pessoas? Não é mais fácil ver que o trabalho, portanto os veículos, é mais importante que o lazer? Não é mais fácil ver que bicicletas só servem para lazer, e não para trabalho? Não é mais fácil compreender que não andamos para o trabalho, que vamos em veículos?”

Sim, é mais fácil; e é por isso mesmo que é muito, muito errado. A percepção imediata, aquilo que é mais fácil de se compreender, é geralmente a mais limitada e a menos real! A integração, através de planos multimodais, é uma necessidade imperiosa nas grandes cidades de todo o mundo.

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Foi pensando em como devem-se proteger os modais uns dos outros, separando-os no espaço para uni-los em suas diversas funções para a sociedade, que nasceram projetos como o da Hovenring, rotatória elevada para bicicletas nos Países Baixos (foto acima). Ali, a separação recepcionou veículos, bicicletas e pedestres, com diferenças de nível; além disso, presenteou a província de Noord-Brabant com um belíssimo marco urbano.

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Composta por uma ponte de 70m de altura, 24 tirantes de aço e um plano circular (dotado de contrapeso de concreto, onde fixam-se os cabos), conforma-se por aproximadamente 1000 toneladas de aço. Os tirantes, após concluída a obra, tiveram que receber sistemas de amortecimento para compensar as intensas vibrações provocadas pelos ventos – uma carga que não havia sido computada corretamente antes.

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Outra demonstração de compreensão estatal desta importante demanda é vista na cidade de Lujiazui, na China. Uma imensa passarela para pedestres – a 6 metros da via, com 500m de extensão e alimentada por 17 elevadores e escadas rolantes – foi construída (foto acima), complementando a estação de transbordo do distrito financeiro local – aliás, este investimento ambicioso faz parte de uma estratégia para torná-lo uma referência mundial.

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Fascinante, não? Com as constantes reformas de Planos Diretores em nossas grandes cidades e com com a visibilidade que as questões de mobilidade e acessibilidade vem ganhando, quem sabe não seja apenas uma questão de tempo até que tenhamos esse tipo de projeto executado no Brasil?

Fontes: constructaliaLa Información.

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Sobre arquitetoGEEK
Só um cara inquieto por novas tecnologias e pesquisas relacionadas a arquitetura e engenharia.

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